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A Bíblia - do Abuso Espiritual

O texto dos evangelhos e outros que fazem menção às palavras de Jesus devem ser considerados naquilo que são, pois considerando que, se Jesus deixou alguma palavra escrita ou algum papiro recolhido, esses foram devidamente destruídos, tudo aquilo que sobrou são tentativas de reprodução de frases e passagens dele. Nisso se incluem os acréscimos de cada um postos pelo próprio interesse do seu momento e mais, tudo baseado em recordações, vários anos depois da morte de Jesus. A partir disso, podemos considerar de termos aí uns oráculos dos evangelistas que por mais boa vontade que tivessem lhes era impossível reproduzir as palavras de Jesus.

A partir do século IV, o prestígio atribuído a oráculos falados começou a ser transferido para a palavra escrita, ela se desenvolvia em forma de adivinhações pessoais das figuras conhecidas como "cleromancia dos evangelhos". E em 382, já havia uma pena de morte para a proteção destas "verdades", das sortes virgilianas. No segundo Concílio de Constantinopla, definitivamente era declarado herético o conceito da reencarnação. Triunfava Constantino e seus significados proféticos cristãos, que de Virgílio vieram assumir um papel importante nesta mitologia, pois nasciam as bases latinas da Bíblia de São Gerônimo chamada de "Vulgata". Pois todas as Bíblias posteriores são da Idade Média.

No século V, o prestígio atribuído ao "oráculo falado" vem permitir a Constantino: "guiar Dante, com Virgílio, pelo inferno e purgatório". E pelas alucinações deste visionário pagão, nasceu uma religião que abriu uma estrada larga, para conduzir muita gente para lá, que até os dias atuais continua abarrotada de gente. Este é "o abuso espiritual que o homem cometeu na Itália sobre a religião", que eu fui chamado a corrigir e a Litáurica nasceu disso, para difundir esta correção pelo mundo afora. Foi uma blasfêmia do poder romano. Uma mistificação que se estendeu e influenciou o mundo todo, e vem representada hoje pelas suas conseqüências: - muitos bilhões de espíritos perdidos, que não foram e não serão aceitos no céu sendo: - "adoradores de imagens e falsas divindades, seguidores de uma religião pagã desautorizada, que, em se opondo diretamente ao Primeiro Mandamento, já são barrados na sua evolução e na dissociação da matéria, em forma metafísica, ficam simplesmente onde estão os vivos". Esses são os espíritos que influenciam os vivos fracos e os usam induzindo-os à malandragem, à violência, às drogas, consideradas forças do atraso que agem às expensas dos vivos atrasados.

Durante muitos séculos, a circulação das escrituras, de todo tipo, foi proibida. Ao povo era vetado tê-las em casa e sacerdotes e prelados, sem escrúpulos, sempre lhes interpretavam os ensinos, de modo a favorecer as próprias intenções. Depois essas escrituras voltaram a aparecer, mas foram reescritas para atender as necessidades da imprensa que surgiu no XIV século, de forma que favorecessem as intenções em que foram refeitas. A reencarnação continuou na crença hebraica até 1800-1850.

É assim que o chefe da igreja foi quase que universalmente reconhecido como vigário de Deus na terra. É assim que foi dotado de supremacia e autoridade sobre igreja e estado na Europa inteira até meados do XIV século, quando a sua influência foi cortada em muitos lugares, onde começaram a nascer estados soberanos que conseguiam libertar-se de sua exploração.

Finalizando proporcionar aos conversos do paganismo uma substituição de ídolos, para adoração do povo, promoveram a aceitação nominal deste cristianismo cheio de estátuas. A cruz era o símbolo principal deste culto estranho dos cristãos e em seguida vieram as adorações das imagens e relicários e da missa, onde completava-se a obra sacrílega. Roma pretendeu até eliminar as Leis de Deus, além dos antigos e sagrados testemunhos, pois num furioso e particularmente conveniente incêndio, destruiu, no século VI, a valiosa biblioteca palatina, fazendo desaparecer assim os documentos originais do cristianismo. Estas antigas escrituras, junto com os valiosos e antigos papiros recolhidos por eles, sumiram e se determinou que fossem feitas outras, como lhe serviam. Isto aconteceu no reino do Papa Gregório VI, que ganhou o apelido de "Grande", justamente por ter sancionado o acordo entre a igreja e o Estado imperial romano e assim, permitia que as escrituras fossem escritas novamente e de forma que ninguém, no futuro, pudesse contestá-las e provar o contrário. Com este Papa, se empenharam em fazer isso os bispos da igreja que participaram do seu segundo concílio, em Constantinopla, em 553, onde, os mesmos, decretaram herético o conceito reencarnatório, inspirados pela simples exploração e ambição, pois ia-se interpor o padre pelo perdão do pecado, na aceitação nominal do Catolicismo, adiantando o poderio da igreja em tudo o que se adora ou pertença, em qualquer modo, à espiritualidade ou a Deus.

Ousara-se mudar todos os preceitos das leis divinas e inequivocamente daí, no século sexto, tornou-se o papado firmemente estabelecido. Fixaram a sede do seu poderio na cidade imperial e declarou-se: "Ser o bispo de Roma a cabeça da igreja do Cristo e o representante de Deus na Terra". Começaram, então, os anos de opressão papal, o paganismo mais obscuro cedia o lugar ao papado. Os cristãos foram obrigados a optar entre renunciar à própria integridade moral e aceitar a Bíblia, os cultos e as cerimônias papais, ou renunciar à própria integridade física. O dragão dera à Besta: "O seu poder e grande poderio". Apocalipse 13.12. Desencadeou-se a perseguição sobre os fiéis, com fúria, pois devia ser contido o avanço das outras crenças nas terras conquistadas pela espada romana e o mundo tornou-se um vasto campo de batalhas. Durante séculos a igreja operou nas intrigas, aumentando o seu poderio e se adentrando sempre mais nas mais profundas trevas. Do verdadeiro fundamento, transferiu-se a fé para o Papa de Roma.

Em determinado momento, começou a estruturar-se o sistema feudal, em que a igreja era uma parte predominante, pois vinha a constituir-se como uma poderosa organização que se estendia pelo mundo afora fazendo um mundo pagão, que se achava cristão, mais poderoso e duradouro que qualquer coroa. A era se tornava religiosa e a igreja, tinha um poder espiritual tremendo e além disso, acumulava riquezas e terras. A igreja tornou-se a maior proprietária de terras até o fim do período feudal. Homens enriquecidos e preocupados com as formas de pilhagens em que tinham conseguido as suas fortunas, e desejosos de salvar-se, antes de morrer, doavam terras à igreja; outros achavam que a igreja realizava obras de caridade assistindo doentes e pobres, e desejando participar destas obras, lhes davam terras; nobres e reis criaram hábitos de doar partes dos suas pilhagens às igrejas, em conseqüência da lei das indulgências e por estes e outros meios a igreja tornou-se a maior proprietária de terras da Europa onde bispos e abades se situaram na sua estrutura feudal da mesma forma que a nobreza.

A Igreja foi o elemento que preservou a cultura do Império Romano e assim, incentivou o ensino fundando escolas latinas. Em geral, os eclesiásticos administravam melhor suas propriedades e aproveitavam melhor das terras do que a nobreza. E enquanto os nobres dividiam as suas propriedades nas heranças, a igreja ganhava terras, pois uma das razões de se proibir o casamento ao padre era para não ter heranças para dividir as terras com os filhos, que existiam, mas não podiam ser reconhecidos. Os dízimos, ainda, constituíam uma renda considerável, pois correspondia ao imposto de renda, ou imposto territorial, bem mais oneroso de qualquer imposto ou taxa moderna. O colono que deduzia as despesas do trabalho antes de lançar o dízimo das suas colheitas era condenado ao inferno. Cobravam o dízimo até na plumagem dos gansos, todos deviam pagar o 10 % das suas colheitas e até nos seus transportes. Um cabrito em cada dez, uma vaca em cada dez, um porco, um coelho, até a relva que vinha aparada na beira das estradas pagava dízimo. Ensinava-se ser o Papa o mediador da caridade e ninguém podia aproximar-se de Deus, senão por seu intermédio, e, mais ainda, que ele ficava para o povo, em lugar de Deus e devia ser obedecido. Esquivar-se de suas imposições era motivo suficiente para se infligir as mais severas punições, ao corpo, além da alma. O pecado disfarçava-se sob o manto da santidade, desviando assim, a mente dos homens, das Leis de Deus, para aquelas dos homens falíveis e cruéis

As escrituras, os testemunhos antigos e de Deus, foram suprimidos e estes homens produziam fraudes de todos os tipos, com enganos e aviltantes iniqüidades. Os portadores do estandarte do cristianismo Apostolar já eram, na verdade, muito poucos e os erros e a superstição prevaleceram por completo e baniram da Terra a verdadeira religião do ensino cristão.

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