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O livro das pedras

Quando o homem apareceu na Terra, encontrou-se num mundo onde a Natureza iria lhe reservar muitas surpresas nas suas descobertas. Entre as grandes descobertas do homem, podemos citar a dos minerais, acima de tudo aqueles de estrutura complexa, iguais entre si, o surpreenderam, pois assim como muitas manifestações da Natureza, nada mais eram, como ele próprio, componentes nascidos da mesma experiência, em que uma nuvem cósmica se transformara gradualmente numa manifestação integrada.

A relação homem-mineral ressalta um aspecto assombroso da experiência humana em que, principalmente, evidencia-se a sutil e profunda ligação que existe entre o homem, a gema e o metafísico. Aí se representam as potencialidades escondidas do homem, ressaltadas no contexto de seu contato físico com a gema que normalmente lhe é desconhecida e que normalmente até se recusa a conhecer, devido a sua irracionalidade. Tudo isto faz-nos considerar que a experiência humana não pode ficar delimitada ao contexto da sua realidade cotidiana, ao conhecido e quantificável, pois existem muitos mistérios na vida e outros planos de existências, aos quais ainda ele não pode ter acesso. O misterioso relacionamento que ele tem com as gemas demonstra esta realidade, e isto o assombra.

A pedra gema está incorporada na história do homem e o ajuda, mais ou menos conscientemente, a vencer todos os seus medos, a dominar as angústias e os temores provocados pelos fenômenos das coisas que lhe acontecem acima de sua compreensão, e porque se integra com a sua composição. As tradições plurimilenárias nos falam de usos que hoje muitos definem como superstições ou crenças populares. Os usos de hoje, em torno das pedras preciosas, giram em torno de um único elemento: o dinheiro, um símbolo que sobreviveu a todas as religiões e civilizações, mas que, neste específico caso, esconde a verdadeira importância do contexto.

Pesquisando as antigas culturas, esparsas em todo o planeta, encontra-se sempre a importância dos cristais e das gemas, tanto que até em lendas de povos já desaparecidos dizia-se que nestas se custodiavam as almas. Tal argumento poderá parecer excêntrico, mas é o que acontecia nas épocas anteriores e em civilizações mais evoluídas, quando o uso da gema se limitava exclusivamente à pratica esotérica e às curas médicas.

Isto era considerado normal e fundamental, aceito integralmente pela ciência oficial: quando os doentes psicossomáticos eram reconhecidos nessas sociedades como doentes espirituais, que não eram simplesmente narcotizados e fechados em hospitais, mas recuperados e devolvidos à sociedade, não só pela simples intervenção atual das práticas da natureza que levam simplesmente a pessoa a morrer.

Em nossa realidade, as gemas foram revestidas de muita superstição, ao passo que em outros tempos os seus poderes foram sempre experimentados, codificados e dimensionados conforme os seus aspectos, pois quando o homem começa a considerar o significado de uma gema, refletido na metafísica e nos ensinamentos dos Mestres Ancestrais sobre esta realidade, começa a compreender esta obra e a aprecia nos seus justos contextos evolutivos, como um instrumento indispensável à penetração da sua realidade, e, agindo nesta, começa a conhecer melhor a si mesmo e aos outros. Vendo-a assim, imaginamos o valor que a gema pode ter para o homem, não só por sua valia, por preciosa que seja, mas e acima de tudo, por ser o meio que lhe pode proporcionar a realização de um velho sonho: o de dominar e defender-se do verdadeiro mal, como disse Tah-Ai, e integrar-se com a sua existência e na razão de ser.

As gemas e cristais sempre assumiram, nas civilizações, uma posição de relevo, e até medem o avanço destas, e sem estes elementos cognitivos se tornam presas dos poderes eclesiásticos que se baseiam nas superstições, simbolismos e mágicas.

A gênese de um planeta, no nosso caso o planeta Terra e a sua evolução, é um processo demorado e complexo que se perpetua e se desenvolve em bilhões e bilhões de anos, espaço de tempo no qual o planeta se transforma devido a inúmeras mutações geográficas, tanto externas como internas, antes de conseguir a sua maturidade.

Parece que foram necessários alguns bilhões de anos para a Terra conseguir as características "ótimas" para o desenvolvimento da vida orgânica. Em termos de tempo, a vida humana tem uma história recente na Terra, que não vai além de alguns milhares de anos, porém é certo que os minerais conhecem uma história muito mais antiga, desconhecida e negada ao homem nesta dimensão. A história do nosso planeta é ainda, em grande parte, um mistério, principalmente com relação aos processos que ainda acontecem em grandes profundidades. Muito mais conhecida é a composição das rochas e a formação da camada superficial do planeta, pois sobre esta a Ciência teve condições de realizar indagações diretas e mais amplas.

De qualquer forma, é uma certeza que o planeta Terra está longe de ser o cenário sólido e imutável que, à primeira vista pode parecer, e também, deixando de lado o aspecto astrofísico, e assombroso pensar que vivemos equilibrados sobre uma bola que gira em grande velocidade no espaço sem fim, mantidos somente pela pressão atmosférica numa força centrífuga e, no interior de tudo com reboliço de elementos em movimento e processos internos e externos do planeta, que o fazem parecido com um depósito de pólvora a ponto de explodir a qualquer momento.

O homem simplesmente não entende tudo isto, por causa da sua megalomania e tempos de vivência, que são biologicamente muito curtos e grandemente acelerados se comparados aos do planeta, mas esta história é a que está escrita nos minerais, que se classificam conforme os processos em que foram envolvidos junto à evolução do planeta.

A Ciência classifica três tipos de minerais: os formados por materiais derretidos por altas temperaturas e consolidados por efeito de esfriamento na superfície; os sedimentários, que se formam na superfície, seja na terra ou no mar ou debaixo do gelo, por grandes depósitos de resíduos orgânicos, e os que se formam, muitas vezes, acompanhados de processos de fusão em altíssimas temperaturas, também por grandes pressões provocadas pelos movimentos de grandes massas de superfícies que se deslocam no processo de metamorfose do planeta.

Note-se bem, que tais classificações não definem uma situação precisa e estática, mas uma situação dinâmica, em evolução, pois cada tipo de rocha pode compreender infinitas variações, numa história que encontrará a sua conclusão somente na morte do planeta, que a Ciência prevê que acontecerá um dia, daqui a bilhões de anos, quando, simplesmente, tudo voltará a transformar-se, num momento original de uma nuvem cósmica que dará início a um novo processo orgânico, como um dia já aconteceu. Não tem um certo fascínio tudo isso ?

Os minerais são extraídos das rochas, e depois de determinado o seu processo de formação, entende-se como estejam impregnados desta história, e pode-se fazer uma classificação que possibilite o entendimento de suas estruturas e características constitutivas, num contexto atômico geométrico, conforme uma estrutura tridimensional. As posições dos átomos são fixas nas suas relações, começando com uma regularidade interna que se reproduz também na forma externa reentrando nas propriedades dos cristais, onde a forma externa é a conseqüência da condição relacionada à disposição interna dos seus átomos.

Na linguagem industrial, a definição de "mineral" tem na maioria das vezes um valor coletivo, para entender o que se pode extrair de uma jazida de matérias naturais que contenham metais como o cobre, ferro, estanho, etc. Mas nisso se faz exceção quando se fala dos cristais, e a Ciência que estuda os cristais é um setor da mineralogia que inclusive estuda o das pedras preciosas, mas é preciso que se aprenda a ver nisso alguma coisa de particular importância do reino animal e vegetal. Tanto que estes contextos que reentram nos das pedras preciosas não deveriam ser vistos pelos valores intrínsecos, mas como elementos da Natureza que assumem um significado particular na história dos homens.

Estes produtos naturais, pela sua inalterabilidade nos tempos, podem sobreviver-lhes com toda a sua beleza integral, mantendo ainda, no seu sistema atômico, as suas lembranças.... Tal fenômeno que sobrevive na sua história, está na base das suas utilizações tecnológicas, nos sofisticados sistemas das telecomunicações, dos satélites e computadores.

É nestes contextos que também se ressalta a similaridade da estrutura dos organismos! Pois da mesma forma que o cérebro humano vai recolhendo as impressões que lhe chegam do exterior pelo contínuo e agitado movimento do meio, estas se traduzem em paisagens e idéias de forma, quando se transformam em impressões atômicas que, inclusive, podem ser lidas como lembranças dos contextos esotéricos, também quando ali se vão transferir junto aos processos de desmaterializações biológicas. A atual tecnologia ainda não desenvolveu estas leituras, mas a Ciência deixará de ser cercada por condicionamentos impostos por excessos ideológicos e se voltará, um dia, ao estudo dos contextos naturais da paranormalidade e da psicométrica, onde verá como a integração orgânica permite a decifração das impressões magnéticas registradas nos sistemas atômicos destes pedaços de planeta. Falando nisso, pode-se avaliar a surpresa dos cientistas quando forem realizar este tipo de leitura sobre os "meteoritos" que há milhões de anos formam uma verdadeira rede de comunicação do inter-espaço, pois estas pedras, além de conterem elementos orgânicos que comprovam a existência da vida animal e orgânica no espaço, contêm registros magnéticos que provam ao homem que não é o único morador do espaço.

A relação homem e pedra ressalta na realidade algum aspecto assombroso da experiência humana, acima de tudo evidencia a ligação profunda que existe entre o homem e o que está em sua volta. Também em planos diferentes, seja homem ou seja pedra, assim como muitos outros elementos da Natureza, nada mais são que elementos de uma mesma experiência que, de uma nuvem cósmica, gradualmente, se transforma numa galáxia.

Apesar disto, às vezes pode acontecer que um cristal tenha assistido de camarote a fatos ocorridos há milhões de anos, ou tenha sido formado no deslocamento de enormes massas na simbiose planetária, onde em poucos minutos podem ter-se acabado civilizações avançadas inteiras, isto pode ser observado com desdém por alguém que na simples métrica dos seus conceitos terrenos, poderá dizer: "Pecado que não vale nada....".

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