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Movimento ProtestanteA pólvora e o canhão vieram ampliar a visão da nobreza incentivando os monarcas nacionais a enfrentar a Igreja. O Papa e os Reis começaram a brigar até mesmo pelo direito de nomear bispos e abades, quando surgiam vagas em seus territórios. Os Reis, perdida a crença na Igreja, queriam os impostos que a massa popular pagava à Igreja. Pois era muito dinheiro e a Igreja era tremendamente rica. E aí, os muitos abusos da Igreja começaram a ser observados. Não passavam mais desapercebidas as diferenças entre os seu atos e pregações, e começaram à vir a tona até para os mais broncos. Os muitos escândalos e abusos da Igreja começaram a ser remarcados em forma pública e notória e muitos começaram a operar para reformá-la no seu próprio interior. Wycliffe fora, na Inglaterra, o líder espiritual da Revolta Camponesa, e Huss na Boêmia, protestava contra Roma. Calvino, Knox, tentaram reformar até mais que a Igreja e Lutero e os reformadores que o seguiam eram da Igreja e tiveram sucesso pelo apoio dos seculares que, em cada país, queriam os espólios da Igreja, que tinha deixado de ser "A Religião", porque depois das evidências da peste, espiritualmente, muitos não tinham mais nenhum receio de questioná-la. Os homens começaram a considerar-se não mais como cidadãos de Madri, de Kent ou de Paris, mas como da Espanha, Inglaterra e França. Passaram a dever fidelidade não mais a sua cidade e à Igreja, mas ao Rei, monarca de toda a nação. A ascensão da classe média é um fato importante que vai do século X ao século XV. As antigas instituições começaram a entrar em decadência aos poucos, ao mesmo tempo que a nova classe nascia e se formava. A classe formava a intermediação entre o pobre miserável, o servo e oprimido, e os ricos que dominavam, porque nasceu da iniciativa individual, da inteligência, dos que compreendiam que a única forma em que podiam melhorar as condições de pobreza, era romper com o atávico e as tradições servis, tomando iniciativas para melhorar o trabalho. Hoje em dia, o inventor de um novo processo, patenteia a sua invenção. Mas naquela época não havia nada e cada coisa era coisa. Mais coisas propiciavam possibilidades aos que as realizavam, melhores condições e aos poucos, de um para outro, vieram até a formar-se as corporações que defendiam os direitos destas técnicas que impulsionavam os comércios regionais. Uma lei veneziana de 1454 nos indica um dos métodos destas regiões que suas corporações, para preservar os seus, contemplava: - "Se um trabalhador levar para outro país qualquer "arte ou ofício", em detrimento da República, receberá ordem de regressar; se desobedecer, seus parentes mais próximos serão presos; se persistir na desobediência, serão tomadas medidas secretas para matá-lo, onde quer que esteja". Modificações nas formas de vida foram provocadas e possibilitavam o crescimento da nova classe, que trouxe novas modificações à inteira sociedade. A classe média compreendia que o seu progresso estava bloqueado pelo feudalismo mantido pela igreja católica, que como senhor feudal, sugara os recursos e as riquezas aos países, mantendo para aqueles que os serviam, condições de vida quase que animalescas. Assim pela falta absoluta de higiene causou o desenvolvimento da pestilência que, antes que a classe média pudesse apagar o feudalismo, a penalização natural da doença fez isso. Atacou a organização central da igreja e a luta tomou disfarces diferentes, mas a classe média cresceu com isso. E veio a ser chamada de Reforma Protestante. Mas que Reforma era esta? Foi uma simples luta de poder entre os bispos que queriam ser papas num momento em que havia separações na Igreja enfraquecida e dividida no seu interior, pois já havia dois papas, um sediado em Avinhão na França, e outro em Roma, na Itália. Quando, entre os anos de 1378 e 1417, a Europa começava a se dividir em nações autônomas, definindo-se com suas línguas próprias, os reformadores, começaram a contestar o catolicismo porque antepunha o bem estar na terra na sua religião e a doutrina dos dogmas. Sustentavam que a suprema autoridade cristã estava na Bíblia e não no Papa. Submetiam-se a ela e não às decisões papais. Mas não se aperceberam de que esta Bíblia tinha sido refeita e adulterada pela obra da Igreja Católica Apostólica Romana, porque esta religião, não nasceu do cristianismo, mas da vontade de um imperador pagão, que se chamava Constantino, mil anos antes. Numa sociedade em que o principal objetivo do trabalho era o servilismo, se a Igreja Católica, como categoria de senhores, era engrenada numa economia feudal de exploração, em que, quem trabalhava fazia isso só para viver e pagar à Igreja, a Igreja dos protestantes, que surgiu da separação e contestação, no desacordo dos bispos, devia voltar-se para o espiritualismo da mensagem de Jesus, nos contextos reencarnatórios - na essência, e não no ensino de um livro totalmente alterado. Mas a Reforma não fez isso. O interesse dos envolvidos era puramente material. Uma briga de poder, pois queriam dividir a herança da Igreja em que eles mesmos, como partes dela, tinham perdido a fé. Daí partiram a competir com esta organização e nos seus bens materiais é que queriam encontrar consolo e a mesma estrutura da Igreja dividiu-se em seitas diferentes, mas especificadamente, para partilhar da divisão dos tributos pagos ao Senhor - os dízimos. Tinham de modificar-se porque os tempos tinham-se adiantado e o mesmo devia ocorrer com o ensino religioso, mas alguém errou. Talvez Calvino, Hus, ou Lutero, ninguém percebeu e saíram-se na maior confusão. Demonstraram não ter base, pois seguiam as suas inspirações da interpretação da Bíblia, mas a sua reforma era negócio mesmo. Tomemos por exemplo os puritanos. Enquanto o católico recebia ensino de que o caminho da riqueza podia ser o caminho do pecado, o puritano Baxter dizia aos seus seguidores que se não aproveitassem as oportunidades de fazer fortuna, não estariam servindo a Deus. "Sede ricos para Deus, embora não para a carne e o pecado". Ou os metodistas: Wesley, seu famoso líder, escreveu: "estimular todos os cristãos a ganhar tudo o que podem, e a economizar tudo o que puderem; ou seja, na realidade enriquecer" Os ensinos de Calvino estavam particularmente dentro do espírito do empreendedor. Ao passo que a Igreja Católica vira antes o comerciante como alguém cuja ambição de ganho era pecado, o protestante Calvino escrevia: - Por que razão a renda com os negócios não deve ser maior de que a renda com as propriedades das terras? Em suma, o caminho da riqueza era o trabalho e, aquele que ganha tudo o que pode, honestamente, e poupa tudo o que pode, certamente se tornará rico". A poupança, o investimento, praticamente inexistentes na sociedade feudal, se tornaram um dever na sociedade capitalista para glória de Deus. Pois Deus e Mamon vêm aí a reconciliar-se. Paz na terra aos homens de boa vontade e bons recursos para pagar dízimos. Antes da invenção da imprensa, os livros eram poucos e sistematicamente destruídos; sendo assim, havia pouco conhecimento. Mas em 1447, descobriram a reprodução gráfica e muitas obras começaram a ser estampadas. O conhecimento aumentou. |
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