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O Grande Erro

A Reforma Protestante tinha possibilidade de mudar o sistema, pois a crença religiosa mundial estava abalada em conseqüência da peste e disso podia surgir uma nova consciência humanitária, em função de que todos os seres humanos e da criação têm os mesmos direitos diante de um bem que é comum, e este é a terra, por excelência, que, como o ar, existe para todos.

Todos herderão a terra. Aqueles que se dispõem a trabalhá-la e precisam, para lá viver, morar e trabalhar, e para dela tirar os seus sustentos, justos e sagrados. Esta, para ser uma reforma, devia ser um verdadeiro Estatuto das Terras e não uma luta pelo poder, porque aí desperdiçava-se o sacrifício de milhões de vidas inutilmente ceifadas, porque este alguém, preferiu o ouro, o poder e a fama entre os homens. Daí podiam ser evitados muitos outros sofrimentos aos homens, como por exemplo, as guerras ou, a Revolução Francesa que acabou com as restrições feudais, também poderia ser evitada.

Melhorando a vida dos camponeses, na oportunidade, ia mudar-se o mundo e, antes que o excesso de ouro na Europa, vindo das colônias, viesse a ser causa de outras desgraças. Podiam ser eventualmente dos trabalhadores os lucros fabulosos dos banqueiros e da classe burguesa e o mundo hoje, certamente podia ser um outro. Mas não foi, e a Igreja Católica aproveitou disso e veio a fortalecer-se novamente. Passou a ser mais uma crença. Mas o homem que devia apreender daí, não aprendeu, e não pôde tirar o seu sustento da sua terra, gerenciando o seu pedaço, criando a sua família na harmonia do seu ambiente, aprendendo a conter a própria ganância nos contextos da Lei do Amor e nisso, fazer as suas regras e legislações finalmente justas, onde podia criar o seu verdadeiro progresso, até tecnológico, e perdeu uma grande oportunidade.

Mas no "domínio da razão" equilibrou-se a religião com a ciência, nasceu a especulação e dela a burguesia que tinha o capital. Esta emprestava o dinheiro ao Estado e queria-o de volta recebendo as terras confiscadas dos conventos e alarmava-se com a perspectiva de perder suas economias. Daí a burguesia desejava que o seu poder político correspondesse ao poder econômico, que já tinha. Era dona de propriedades, queria agora os seu privilégios. Queria ter certeza de que sua propriedade estaria livre das restrições aborrecidas a que estivera sujeita na decadente sociedade feudal. Queria ter certeza de ser a nova classe inteligente em ascensão e, ansiosa de tomar o poder, não queria ser a voz do governo, mas o proprio governo.

Sua oportunidade chegou, e esta classe soube aproveitá-la. Na mistura articulada dos seus recursos, fez em que rebentasse em 1789, a Revolução Francesa. A burguesia forneceu a liderança, enquanto os outros lutavam, ela lucrou. Enriqueceu mais, especulou com as terras tomadas da Igreja ou dos nobres e amontoou fortunas imensas, ainda através de contratos fraudulentos com o exército.

Marat, o porta-voz da classe trabalhadora mais pobre, descrevia o que ocorria durante a Revolução, assim: - "No momento da insurreição o povo abriu o caminho..... por muito poder que tenha conseguido inicialmente, foi por fim derrotado pelos conspiradores da classe superior, cheios de astúcias, artimanhas e habilidades. Os integrantes educados e sutis da classe superior a princípio se opuseram aos déspotas, mas isso apenas para voltar-se contra o povo, depois de se ter insinuado na confiança e usado o seu poder, para colocar-se na posição privilegiada da qual os déspotas, tinham sido expulsos.

A revolução é feita e realizada por intermédio das camadas mais baixas da sociedade, pelos trabalhadores, artesãos, pequenos comerciantes, camponeses, pela plebe, pelos infelizes, os pobres, os que os ricos desavergonhados chamam de canalha e os que, ainda, os antigos romanos, desavergonhadamente chamaram de proletários. Mas o que as classes superiores ocultaram constantemente é o fato de que a revolução acabou beneficiando somente os donos das terras, os advogados e os chicaneiros".

É uma descrição exata do que ocorreu. Depois da revolução foi a burguesia que ficou com o poder político da França - Liberdade, Igualdade, Fraternidade - foi uma frase popular gritada por todos os populares revolucionários, mas a burguesia é que foi desfrutá-la.

Em 1517, Martinho Lutero pregava à porta da Igreja de Wittemberg as suas "Noventa e cinco teses", e ao mesmo tempo irrompia na Alemanha uma revolta de camponeses generalizada, que em parte, sob influência dos seus ensinamentos, ajudou a sufocá-la. Esse rebelde da igreja devia sustentá-la, pois não queria reformar a igreja? Podia reformar a situação feudal da igreja, pedir reformas do sistema, devolvendo, de início, a metade das terras da Europa, das mãos da igreja para o povo, pois, o povo não era país? E diante Deus? As Leis d’Ele, da Bíblia, dizem que o homem foi condenado a tirar da terra, o seu sustento com o seu trabalho e seu suor da fronte..... ou não? Se ele nunca tinha visto isso na sua crença, então ele não conhecia a Lei do Amor, porque esse reformador, tão indignado contra os abusos da igreja escreveu: "Deus prefere que existam os governos, por piores que sejam, do que permitir "a ralé" que se amotine por mais razão que tenha".

Enquanto os camponeses revoltados de 1525 gritavam: - "Cristo fez livres todos os homens", Lutero, amparado pela corte teutônica, estimulava os nobres a aniquilá-los com estas palavras: "Aquele que mata um rebelde....faz o que é certo.....Portanto, todos os que puderem devem punir, estrangular ou apunhalar, secreta ou publicamente....Os que perecerem nessa luta devem realmente ser considerados felizes, pois nenhuma morte mais nobre poderia ocorrer a ninguém".

Como a oposição religiosa à Roma coincidia com interesses do nascente Estado Nacional, num período em que este sentimento crescia, o movimento teria encontrado apoio da classe média das cidades e dos príncipes que permitiram ao Papa recolher "annatas" de todos os feudos......pois dos camponeses podiam cobrar seus impostos, e ia sobrar tanta terra.....que de fato a igreja já tinha perdido, com ou sem reforma, pois antes tinha o controle da educação, e já surgiam escolas independentes.

Antes, o direito da igreja fora supremo, agora, o velho direito romano, mais adequado a uma sociedade comercial fora ressuscitado. Antes, a Igreja era a única que dispunha de homens cultos, capazes de conduzir os negócios do Estado. Agora, o soberano podia confiar numa nova classe de pessoas treinadas no movimento comercial e conscientes das necessidades do comércio e da indústria do país, já tinham ultrapassado o sistema feudal. Pois aí, sim, teria sido uma verdadeira Reforma Protestante de cunho religioso, que teria posto o ser humano na trilha do desenvolvimento. Esta diferença que temos aí foi só uma briga de bispos, seus deuses são os mesmos, se chamam poder e dinheiro.

Ao invés de uma "justa distribuição das terras", para quem se dispusesse a trabalhá-la, cultivando no seu direito individual à vida justa na paz de Deus. Veio depois da Revolução Francesa o Código Napoleônico, destinado a proteger as propriedades burguesas. O código tem cerca de 2.000 artigos, dos quais 7 tratam do trabalho, e cerca de 800 desta propriedade privada. O Código foi feito pela burguesia e para a burguesia.

Quando o fumo da batalha se dissipou, viu-se que o feudalismo estava morto mas, foi estabelecida definitivamente a burguesia, surgindo a moderna sociedade do capitalismo e do capital. E - eis um método usado pelos holandeses do XVI século para obter capital. "Para conseguir Malaca, os holandeses subornaram o governador português. Ele os deixou entrar na cidade em 1641....Correram até a sua casa e o assassinaram para não pagar-lhe 21.875 libras, o preço da traição....Onde punham o pé, provocavam devastação e despovoamento.....No Banjuwangi, província de Java, havia em 1750 mais de 80.000 habitantes. Em 1811, 61 anos depois, 18.000. Assim é que a Holanda acumulava o dinheiro de que precisava para se tornar capitalista. (Karl Marx, op. cit.) - Bela Reforma Espiritual Evangélica.

E os britânicos da Índia: - "Nosso império...foi conquistado e ainda é governado pela influência da força. Nenhum pedaço do país foi voluntariamente cedido...derrubamos os antigos soberanos da terra, tomamos aos nobres todo o seu poder, e, por saque contínuo na indústria e nos recursos do povo, tomamos deles toda a riqueza excedente e disponível". Tomaram todo o arroz e pediam por ele preços tão caros que o povo morria literalmente de fome, pois não conseguia comprá-lo de volta.

Este tipo de "comércio" especialmente com as "colônias", trouxe um pouco de riqueza à todas as partes da Europa. E havia outros comércios que se tornaram lucrativos, o comércio de seres humanos, dos negros nativos da África para as colônias. Os portugueses começaram este comércio em princípio do século XVI. As outras nações da Europa cristã, que tinham colônias, seguiram-lhe imediatamente o exemplo. E tanta gente gostou tanto da renda de tais "negócios", que contribuíam livremente, participando nos lucros das expedições.

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