|
|
A lenda de TAh-AIExistiu um tempo em que o mundo era possuído pelos Senhores da Escuridão. A Grã Luz ainda não tinha trazido a Gema Verde e os homens ainda não conheciam a Grã Mágica para livrarem-se dos Senhores. Quando os Senhores estavam de bom humor, o homem encontrava a caça, e prosperava. Naqueles dias não fazia frio, porque o Grã Olho Luminoso que estava no céu mandava o seu olhar de fogo para aquecer os homens na Terra. Mas quando os Senhores se iravam, não havia lugar na Terra onde o homem pudesse abrigar-se do frio, e não encontrava caça para satisfazer a sua fome. As hordas de animais ferozes destruíam as provisões dos homens que lutavam entre si para conseguir comida. Naquele tempo vivia Tah-Ai. Também ela, como seu povo, tinha medo dos Senhores, mas a sua curiosidade era mais forte que o temor: de tudo tinha medo e curiosidade. Passava o tempo olhando ao redor e se perguntava: Quem são estes Senhores? Será que existem Senhores bons? Perguntava-se se era verdade o que se dizia, que atrás do horizonte acabava o mundo e que os que lá se aventuravam caíam num escuro abismo sem fundo e fim. Perguntava-se por que o céu chorava quando o Olho de Fogo ia embora, e por que a água do rio corria sempre sem poder parar. Acima de tudo se impressionava cada vez que o mundo ficava escuro, como se a escuridão encobrisse a sua morada, e sentia que através da escuridão mil olhos luminosos a fitavam. Quando a Grã Luz desceu à Terra, Tah-Ai pensou que os Senhores bons tinham chegado, mas cada vez que tentava se aproximar deles, a luz feria os seus olhos e tinha que voltar. Ainda muitas luas deveriam passar antes que Tah-Ai pudesse aproximar-se. Um dia, porém, o seu esforço foi premiado: os Imortais se aperceberam dela e fizeram-na dona de 22 pedras mágicas com as quais ela poderia conhecer a linguagem das coisas e do mundo. Tah-Ai gostava muito de brincar com as suas pedras, e daquele dia em diante tornou-se muito hábil em fazer coisas nunca vistas: podia falar com os animais e com as coisas, sabia encontrar ervas da felicidade e trocar as cores do mundo. Daquele dia em diante os poderes de Tah-Ai tornaram-se conhecidos em toda a tribo e ela tornou-se forte e poderosa. Então voltou a visitar os Imortais, para ter aquilo que ainda procurava, e lhes falou: "É muito grande o dom que me destes. Agora posso brincar e alegrar a minha gente. Posso conhecer o nome das coisas e falar com os seres que são diferentes de mim. Mas isto não é o bastante. O mundo é governado pelos Senhores do mal e eu quero vencê-los. Quero ensinar os meus filhos a dominarem o mal do mundo". Aí o mais velho dos Imortais convidou Tah-Ai a sentar-se à sua frente, no meio da cerca, e falou-lhe assim: "Tah-Ai, tu demonstraste fazer bom uso das pedras mágicas, e na riqueza e no poder soubeste manter-te humilde. Não te perdeste na prosperidade. Por isto, presenteio-te com o Sigilo do Espírito". Estendeu a mão, assim dizendo: "Com isto a vida e a morte, o céu e a terra não terão mais segredos para ti. Com isto, poderás vencer o mal e unir-te aos justos, e poderás fazer dono disto a quem achares digno de recebê-lo". Tah-Ai sentiu a fronte queimar abaixo da mão do Imortal e naquele momento viu em volta de si tudo aquilo que antes não via. Quando o velho recolheu a mão, na frente de Tah-Ai brilhava uma grande Gema Verde. Foi assim que Tah-Ai conseguiu ver todos os mundos que estavam a sua volta, e seu poder cresceu tanto que foi capaz de comandar os ventos e as chuvas e afastar as feras. Enfim, viu os Senhores nos seus verdadeiros aspectos e não teve mais medo deles, e até sentiu piedade deles, e com a Gema Verde pode falar com os mortos e, com o seu poder, assegurar a prosperidade a toda a gente. Tah-Ai tornou-se Mestre do Vilarejo e todos se chegaram a ela para aprender a brincar com as pedras mágicas. Revelou aos seus amigos mais atentos o que sabia e levou-os também ao círculo dos imortais, que deram também a eles o dom da Gema Verde. E foi assim que, daqueles dias em diante, os Senhores do mal não tiveram mais a coragem de comparecer às terras deste mundo, porque muito grande tinha-se tornado o "poder dos homens".... |
|
|