Assinatura de Rafael Miceli
Como cheguei até a Litáurica

Não foi nada fácil; praticamente minha vida inteira, 40 anos de busca. Mas o encontro com a Litáurica não poderia acontecer porque esta depende do amadurecimento espiritual que, só comecei a ter aos 30 anos.
Aos 19 anos fui para o seminário, decidi ser padre, na verdade, estava procurando uma espiritualidade que acreditava que poderia encontrar ali, dentro da igreja pagã de Roma, mas como tudo faz parte de uma longa caminhada...Lá estava eu.

Fiquei no seminário por três anos, e não encontrei a espiritualidade, nem a coerência que necessitava. Não dava para acreditar que houvesse sinceridade naqueles padres, no entanto, o tempo foi passando e o conforto, status foi me empurrando para o comodismo, afinal, ficando por ali não precisaria trabalhar, a vida seria fácil.

Como não sou um sujeito que se conforma com o que não presta, não durei muito lá no seminário. Percebi que a minha vida afetiva estava em frangalhos, já estava me destruindo, não podia ver uma moça bonita que meu coração se agonizava por não poder falar com ela (namora-la) afinal, eu era um celibatário. QUE INFERNO!!!.

Também não compreendia os fenômenos que me aconteciam e nem encontrava respostas ali para a mediunidade, não que eu soubesse o que era isso, mas sofria sua influência, havia saído do meu corpo algumas vezes, e visto meu primo falecido. Tudo era muito confuso! O catolicismo não tinha resposta para nada...

Graças a Simone, garota que me apaixonei, e que me deu forças para sair daquele inferno, pude voltar à vida normal, meu relacionamento com ela não durou muito, mas ela me salvou a vida. Ela nem sabe disso...Ela deve ser católica hoje.

Voltei para São Paulo, minha terra (estava em Minas Gerais), em 1987 fui lutar pela vida como deve fazer qualquer pessoa honesta, e se passaram 10 anos.

Aos 29 anos fui lecionar em um colégio perto de casa, pois havia terminado (por minha própria conta) as faculdades de Filosofia e História, o que me ajudou.

Depois de um ano lecionando naquele colégio, o dono o vendeu para um sujeito kardecista. Aquilo caiu na minha cabeça como uma bomba!!! Afinal, ainda era católico (só de nome, mas sabe como é, religião que tinha aprendido a respeitar...) o confronto foi inevitável e por uns seis meses arrisquei meu emprego. Contudo, a paciência daquele homem me fez compreender um pouco do que na verdade não é tão difícil...Compreender uma outra parte da natureza que eu não conhecia.A Metafísica, o astral, a espiritualidade, mediunidade etc... Meus argumentos católicos sucumbiram a simples realidade das coisas, e comecei depois de 29 anos ter as minhas primeiras respostas. Minha conversão ao Kardecismo foi uma violência mediúnica, pois resolvi problemas homéricos de enxaqueca, que tinha desde criança, e percebi literalmente “a olhos vistos” três entidades maltrapilhas em meu quarto, levei um tremendo susto, mas minhas orações me ajudaram e minha dor de cabeça acabou imediatamente aqueles três terem ido embora.

Não havia mais dúvida, o catolicismo me enganara por muito tempo. Mas como o Kardecismo não rompe radicalmente com o catolicismo, fiquei meio católico meio kardecistas. Já melhorei um pouquinho.
Fiquei no Kardecismo por um ano, aprendi muito, e minha visão do mundo também.

Uma amiga, com problemas sérios de obsessão acabou me levando para a Umbanda, em pouco tempo achei aquela religião mesclada, mais sincera que o Kardecismo, porque o Kardecismo, além de muito burocrático, excedia em apoteoses , elevando algumas pessoas à excelências que as colocavam em situação de castas. Era difícil alguém novato como eu, poder ouvir uma entidade de Luz falando, coisas que passei a acreditar. Outra coisa que me chateava era uma certa burguesia venenosa e alienada que pairava por ali, não venenosa quanto à burguesia que pairava no catolicismo, não havia coerência entre a caridade que faziam e o discurso político “miserabilizante” dos kardecistas. Todos faziam caridade mas não explicavam de onde vinham a miséria , quer dizer, afirmavam que era carma....Mas porque tantos carmas?

Percebi que a Umbanda, apesar de menos culta, era também mais humilde, como eu ainda era meio católico, aquela humildade me cheirou a cristianismo. E lá fiquei por mais nove anos.

Nunca me conformei com as pouquíssimas explicações que os Umbandistas davam para tudo, era tudo muito contraditório, mas de uma contraditoriedade que chega a dar vontade de sair correndo. Rezávamos o credo! Sim aquele que diz “... creio na santa igreja católica...” etc. O problema é que, depois de algum tempo na Umbanda , o camarada desenvolve a mediunidade , e ela lá é realmente forte, e democrática ( diferente do Kardecismo que é burocrática), que envolve a todos. Encantei-me com minha poderosíssima clarividência, todos me procuravam para perguntar as coisas, para ensinar a fazer uma magiazinha aqui outra ali, e assim fui me achando o máximo. Mas achava que estava correto, porque? Porque eu nunca cobrava nada de ninguém, meus guias não bebiam e poucos fumavam, e minha clarividência ajudava as pessoas a saírem das confusões.

Só havia alguns problemas que me atormentavam: Primeiro que eu não entendia porque espíritos de luz precisam de comida? Porque os Exus (mensageiros dos Orixás) precisavam de sangue? (eu nunca dei sangue nenhum, mas me cobravam uma atitude mais Umbandista). E finalmente, porque eu tinha medo dos guias e porque me sentia escravo?
Tudo isso fervilhava na minha cabeça, e piorava quando me questionava sobre o sentimento de medo dos guias e de suas imagens (eu as tinha aos montes em casa), me sentia escravo, preso, tinha medo de romper com tudo, EU DECIDIDAMENTE HAVIA ME TORNADO UM ESCRAVO DOS GUIAS.

Minha vida estava horrível, e sem solução, sem respostas coerentes, sim porque não é qualquer resposta idiota que resolve problemas não sérios. Não adianta aquele tipo de resposta: Você se afastou de Jesus. Ou.Você precisa acreditar mais em Deus...(Sempre acreditei em Deus) ou você precisa ler mais a bíblia (eu sempre li a bíblia).Este tipo de resposta só serve para pessoas que não raciocinam com profundidade ou simplesmente não estão seriamente empenhadas em encontrar a Verdade.

Em um dia de agonia e tristeza pedi a Deus que me orientasse, pois não sabia mais o caminho certo, minha angústia era muito grande. Veja bem, eu nunca fui atrás da mediunidade, eu nunca quis saber de misticismo, mas eu nasci médium (hoje sei que todos nos somos médiuns), mas eu nasci assim vidente e clarividente. Portanto, não me afastei de Deus em nenhum momento Deus é que me fez assim.

Mudei para São José dos Campos, e mais ou menos uma semana depois fui procurar uma rádio e encontrei um “maluco” falando e não entendia como ele ainda não havia sido morto ou preso Mas ele falava com uma coerência tão grande e uma profundidade tão aguda e incrivelmente simples que me deixava envergonhado com minha filosófica mediocridade. Como aquelas coisas tão simples poderia ter escapado aos meus olhos? Não se tratava de um discurso, comum, não obstante as palavras sejam a do português, a lógica que espanta a fantasia criada em minha cabeça pelo catolicismo, Kardecismo e Umbanda. A vibração daquela voz era como o pêndulo do psiquiatra. Meu Deus! Quem é esse Homem? Que coisa absurda era aquela?

E fiquei ouvindo aquela voz por um mês pelo rádio mais ou menos.
Em um dia, aliás, em mais um dia de agonia, via a fotografia da minha escravidão naquelas imagens de guias, anjos, bíblias, e via escravidão em muitas das minhas atitudes de fé, resolveram pedir socorro a Deus em alguns minutos depois (mediunicamente) uma voz que disse:

Sua oração foi ouvida, e pediu com coração. A ajuda já vem. Associado à incrível sensação de libertação, este descendente de italiano, calabrês durão, se pôs a chorar.

Procurei o telefone da Litáurica, eu não conhecia a cidade direito e por isso onde mais sabia que tinham uma banca para tirar fotografia da aura em algum shopping fui atrás e encontrei finalmente. Conversei com a Sueli, a quem até hoje por brincadeira chamo de “madrinha”. É impressionante, e me analiso sempre para tentar entender, porque me senti tão feliz por ter conseguido falar com algum litáurico, acho que o espírito busca a verdade que mais o liberta, e quando chega perto desta verdade se sente livre.
E é assim que me sinto na Litáurica: Livre (das amarras do dogmatismo e do misticismo supersticioso) e Feliz.

Alguém precisa de mais alguma coisa?